Xing Shi Pai e Shan Shui Long Pai – Pérolas do San-He?


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Muitos ocidentais consideram a  Escola da Forma como a parte mais importante numa consultoria, ou pelo menos, o pilar dos sistemas avançados (entende-se como forma, os estudos baseados no Wu Xing, no fluxo do Qi e nos 5 Animais Celestiais). As mais variadas designações, desde Di Li, Xiang Di até Di Mai foram considerados sinônimos dessa análise de Feng Shui, o que está totalmente equivocado, já que os dois primeiros termos se baseiam na observação geográfica que era realizada na Dinastia Zhou Oriental (~500 a.C.), e o terceiro, na profunda percepção das artérias e veias do Dragão durante o tempo dos Qin (~200 a.C.). Esse erro conceitual provavelmente está relacionado com a falta de uma pesquisa mais apurada na evolução histórica das técnicas e Tradições dessa Arte.

         O termo “Forma” no Feng Shui atual significa um resumo de algumas técnicas dispersas, e não uma Escola propriamente dita. Assim, o termo Luan Tou (ferramentas ou métodos de Forma) seria mais correto do que a designação Pai (Escola). Esse deslize permanece no termo Escola da Bússola, como se o verdadeiro kan yu shia pertencesse a uma ou outra formação. Na verdade, tanto a San-He (enfoque paisagístico e poético) e a San-Yuan (mais construtivo e matemático) utilizam a Luo Pan e as configurações formais.

        Os manuais antigos explicitavam desenhos com vistas aéreas de montanhas e formas de rios variados, além do posicionamento exato para se situar as construções nesse contexto (um pequeno exemplo se encontra no livro da Mestra Eva Wong, Feng Shui – Ed. Pensamento). Para a visão contemporânea, tais métodos ancestrais se perderam no tempo e não são considerados na atualidade. Na verdade, além de fundamental, essa disciplina denominada San-He Xing Shi Pai é a única que poderia ser realmente chamada de Escola da Forma, já que segue coerentemente um sistema dentro de uma Tradição (3 Harmonias).

         A visão limitada do Luan Tou é absorvida, portanto, por um complexo estudo morfo-geológico no Xing Shi, estruturado principalmente nos fatores cognitivos das Estrelas da Bei Dou, como se segue:

  • Tang Lang – Anjo do Sheng Qi / Lobo Faminto;
  • Ju Men – Deus da Dança / Porta Gigante;
  • Lu Cun – Fantasma da Infelicidade / Reserva de Prosperidade;
  • Wen Qu – Ninfa Inteligente;
  • Lian Zhen – Diabo da Ferocidade;
  • Wu Qu – Anjo Galanteador;
  • Po Jun – Espírito da Pompa / Deus da Guerra;
  • Zuo Fu / You Bi (Fu Bi) – O Anjo da Riqueza e do Vigor;

         As classificações acima possuem energias e formas próprias, podem ser usadas tanto no mundo rural quanto urbano, e são encontradas não somente no Xing Shi Pai, mas também na maioria do San-He Shan Shui Long Pai (métodos dos Dragões de Montanha e Água da Tradição Tripla Harmônica). Como essas forças se relacionam, numa construção, com o Na Jia, uma interessante pergunta surge no ar: Como os consultores que ironizam a eficácia dos presságios do Ba Zhai (que também correspondem à comparação de Trigramas), podem considerar as técnicas dos Dragões de Água como sendo a Pérola do Kan Yu ? Um peso com duas medidas ?

       Assim, podemos concluir que não é possível se aprofundar nos sistemas clássicos sem uma mínima pesquisa histórico-cultural do universo chinês. Simplificar a Escola da Forma aos Animais Celestiais ou denegrir a imagem dos 8 Palácios ao mesmo tempo em que se louvam os métodos de Água é um erro inconcebível àqueles que pregam a aplicação do autêntico Feng Shui.

Por Marcos Murakami