Curas Simbólicas no Feng Shui Clássico


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O ressurgimento do Kan Yu na atualidade fez com que muitas Escolas Clássicas se tornassem exemplos de estudo criterioso, matemático e sempre baseado em um sistema estruturado e lógico. Pesquisadores, principalmente os da linha cientificista, dizem que o uso de simbolismos, como moedas penduradas, Ba Guas, etc (tão disseminado como “ferramentas feng shui“ na atualidade), não fazem parte do verdadeiro universo das vertentes tradicionais, sendo um mero processo de estímulo psíquico, baseado na releitura arquetípica dos Templos Budistas Tibetanos (sugestão aos famosos “cantos”), métodos Luan Tou (Forma), e do xamanismo Bon. Sem dúvida, a maneira generalizada como costumam ser  apresentados os estudos do Prof. Lin Yun (principalmente no Ocidente), restringe e muito a visão do público em um paradigma simplista, decorativo e “vulgo“ esotérico.

Vejamos: se por um lado, o excesso de badulaques nas lojas pode cegar o verdadeiro aluno dessa Arte milenar, temos que convir que existe um exagero por parte de alguns cientificistas, quando afirmam que o uso de símbolos orientais para curar certos aspectos do Sha Qi são frutos somente da nova onda New Age, não tendo nada a ver com o ilustre passado. Dessa afirmação, já se tira algumas contradições, como por exemplo: se é ridículo usar uma flauta de bambu para harmonizar alguma “anomalia”, como o Vuo Lu (cabaça dourada pendurada com cordão vermelho) é muito bem indicado para as Curas da Estrela 2 Anual na Escola Xuan Kong ? A justificativa seria a associação da cabaça ao metal macio e ao trigrama Dui  (“ligeiramente” simbólico, não ?). Ainda mais, como alguns estudiosos podem ironizar aqueles que penduram o Hou Tian no batente da porta, se muitos adeptos da Tradição San-He situam anualmente as fotos ou estátuas dos Deuses Guerreiros para bloquear as energias maléficas dos 3 Demônios ou do Tai Sui ? E por que será que os arquitetos da Cidade Proibida em Beijing (que foi construída com todas as formalidades do Kan Yu) precisariam ainda das Estátuas dos Guardiões ? Simples superstição ?

Podemos constatar historicamente que o Universo Simbólico fez e faz parte de toda a Teoria e Prática do Feng Shui Clássico. Devemos relembrar que os próprios Ancestrais formadores do Feng Shui, como Fu Xi e Guo Po são descritos nas lendas como sendo grandes alquimistas, e criadores de vários símbolos sagrados que hoje compartilhamos (lembremos a magia por traz dos Hexagramas do Yi Jing, por exemplo). Concluindo, o símbolo, quando associado a um Arquétipo (por isso o ritual de consagração) pode realmente auxiliar numa cura, sendo uma questão de opção e intenção do kan yu shia (consultor) o seu uso (recomenda-se portanto, conhecer e estudar tanto a Escola Americana quanto as Clássicas, pois ambas podem se complementar harmoniosamente). Claro, a questão é ter a consciência de que não é necessário transformar a moradia num templo ou restaurante chinês para se obter algum benefício energético; ou pior, predeterminar a tragédia no casamento pela ausência do canto do relacionamento. Portanto, qualquer que seja a sua linha de atuação, a dica aqui é uma só: ter bom senso no uso das curas. E é claro, uma mente sempre aberta, o espírito sereno e o coração em paz…

Atualização: após 2012, houve uma modificação estrutural na relação entre matéria e potencial de ação espiritual, o que parece ter afetado e muito o funcionamento das curas simbólicas no Feng Shui (tanto nas vertentes Tradicionais quanto Modernas). Mais detalhes poderão ser encontrados no livro Feng Shui Clássico nos Novos Tempos e nos eventos ministrados pelo Instituto a partir de 2013.

Por Marcos Murakami (artigo revisado em 2016)